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O Diário da Jessie Bessie

Eu sou para cada pessoa aquilo que ela acha que eu sou, mas o que para mim importa é o que eu estou à procura de ser e isso eu ainda não sou.

@ Lotação Esgotada - Take Dourado

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Para os amantes de futebol, há a final da Liga dos Campeões. Para as crianças, o Natal. Para os estudantes, as férias de Verão. Para os amantes de cinema, o evento mais esperado do ano é a cerimónia dos Óscares.

Neste ano, havia muito mais incerteza na previsão de alguns vencedores quando comparado com a edição do ano anterior, o que pode ser explicado pela qualidade gigante do conjunto de filmes nomeados este ano. Desde a história emocionante da luta de Stephen Hawking contra a Esclorese Lateral Amiotrófica até ao desafio encarregue a Alan Turing de descodificar o mecanismo da máquina de encriptação alemã Enigma, passando pela descrição verídica das dificuldades passadas pelo sniper com mais mortes registadas na história militar dos EUA, Chris Kyle, que regressou da Guerra do Iraque com stress pós-traumático, os nomeados deste ano são obras de grande qualidade e tornaram as vidas dos membros da Academia um pouco mais complicadas no momento da votação.

Antes de comentar os prémios entregues ontem à noite, queria só deixar uma nota de que se não fosse o Neil Patrick Harris e o seu número de abertura, esta seria possivelmente a cerimónia dos Óscares mais aborrecida que já assisti, desde que ganhei o direito de estar acordado durante a madrugada toda. O número de abertura foi excepcional, juntando efeitos luminosos usados de maneira muito inteligente a um “Barney” extremamente talentoso com um dom para música, humor e entertainment. O resumo e a revisitação de algumas das obras mais marcantes da história do cinema que passaram pelo Dolby Theater foi muito bem conseguido e foram geniais as inclusões de Anna Kendrick, Benedict Cumberbatch e Jack Black neste monólogo musical.

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(Spoiler Alert!)

Adorei a referência que Anna Kendrick fez sobre Gone Girl, onde Rosamund Pike corta o pescoço a Neil Patrick Harris. Delicioso.

(Fim do Spoiler Alert!)

No geral, foi uma entrada que trouxe dinâmica e energia a uma cerimónia que embora prestigiada, pauta pelo rigor e pelo politicamente correcto, sendo por vezes o entretenimento do público, que é o objectivo disto tudo, sacrificado.

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No resto da noite, só se destaca a excelente actuação musical de Lady Gaga para homenagear os 50 anos, desde que Sound of Music foi exibido, sendo a cereja no topo do bolo a entrada de Julie Andrews no final da actuação.

Eu gosto de premiar o que se faz de bom agora, mas tenho um fraquinho em prestar tributo a tudo o que seja glórias do passado, porque criar algo que resiste ao teste do tempo e que continua a ter o mesmo (se não mais) prestígio e carinho por parte do público exige muito talento e competência. E ter aquela Senhora (com S grande) de 79 anos no palco a emanar toda aquela classe e relembrar uma era de Hollywood, onde só o puro talento, em vez de efeitos especiais ou outros acessórios modernos, definia o valor de um filme foi simplesmente magnífico.

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Por fim, não querendo menosprezar ou retirar importância aos restantes visados, acho que o Robin Williams na secção In Memoriam deveria ter tido um pouco mais destaque, tendo em conta a sua importância no seio da comunidade cinematográfica. Isto pode não ter acontecido, devido ao facto de ele já ter sido sobejamente homenageado na cerimónia dos Emmys, mas mesmo assim, achei por bem deixar esta nota pessoal.

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Posto isto, vamos aos filmes, que é o que interessa. Começo pelas categorias que estavam praticamente garantidas e que não foram surpresa, como a categoria de Melhor Actor Secundário. J.K. Simmons em Whiplash libertou-se daquele typecast de ser visto só como o editor-chefe rezingão de Homem-Aranha e conseguiu mostrar que consegue usar a sua voz ríspida e cortante para executar uma performance excepcional enquanto professor implacável e com boas intenções, mas com métodos questionáveis que irá ser relembrada por muitos e bons anos. Vitória merecidíssima.

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Para Melhor Actriz Principal, Julianne Moore foi outra não-surpresa da noite. O seu papel em Still Alice parece que foi feito à medida para ganhar um Óscar, pois consiste numa mulher que tem lutar contra uma doença grave com alto impacto social, num filme politicamente correcto que nos sensibiliza para a doença, mas não nos deprime ao ponto de nos incomodar.

Não quero com isto, de maneira nenhuma, desvalorizar a performance de Julianne Moore que é fantástica (e já agora, Alec Baldwin foi uma óptima escolha e contracena lindamente com Moore) e que faz com que a entrega deste Óscar seja certa. É simplesmente uma constatação de que ao longo dos anos vai sendo possível criar filmes somente com o intuito de arrecadar Óscares que satisfazem os padrões pré-definidos pelos membros da Academia em vez de serem premiados filmes pela sua qualidade, independentemente de política, religião, raça, orientação sexual ou de uma eventual causa que o filme defenda.

Independentemente de tudo isto, acho que foi um Óscar muito bem entregue, não só por este filme, mas como um reconhecimento há muito devido de uma longa carreira cheia de papéis marcantes e exibições irrepreensíveis.

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Patricia Arquette, como Melhor Actriz Secundária também era garantido, embora eu nunca tenha percebido porquê, porque de todos os filmes que foram nomeados, o que gostei menos foi Boyhood. É certo que por momentos nos conseguimos pôr na pele da mãe trabalhadora que sofre maus tratos e é constantemente desvalorizada e sentimos empatia, o que por si demonstra o valor da actriz, mas quando o filme não acompanha o talento dos seus actores, não consigo separar as águas.

Portanto, concordo que foi um bom papel, mas não consigo concordar com a atribuição do Óscar devido a minha opinião do filme. Preferia talvez que fosse entregue a Emma Stone, por Birdman ou Keira Knightley, por The Imitation Game.

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Uma das indefinições da noite era o Óscar de Melhor Actor Principal, sendo as duas hipóteses mais prováveis Michael Keaton e Eddie Redmayne. Confesso que fiquei surpreendido com a vitória do Eddie, não por não gostar dele em Theory of Everything, muito pelo contrário, mas pelo hype todo de que Birdman estava a ser alvo nas semanas que anteciparam a cerimónia, assumi que já se estava a preparar a estatueta para aterrar nas mãos de Keaton, embora Eddie Redmayne já tivesse sido premiado na semana anterior nos BAFTA. Seja como for, congratulations are due! E o seu discurso entusiasmante de aceitação foi um momento agradável e só contribui para gostar ainda mais do actor.

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Nas categorias técnicas, o grande e justo vencedor foi o The Grand Budapest Hotel. O realizador Wes Anderson é conhecido por ser meticuloso e metódico quando filma e toma atenção a todos os pormenores, o que neste caso lhe compensou bastante, pois os cenários do filme estão fenomenais e nota-se que o departamento de costume design perdeu muitas horas para executar todo aquele vestuário que confere autenticidade ao filme.

Destaque também para o Óscar de Melhor Som para Whiplash, o que para mim, era óbvio. Rara é a pessoa que acaba de ver este filme e não fica com vontade de usar todos os objectos e móveis de casa como baquetas e bateria, consequência do som soberbo que leva a experiência de visualização do filme a outro nível.

John Legend e Common com “Glory” foram também vencedores óbvios na categoria de Melhor Música Original e convenientemente este Óscar foi entregue logo a seguir a actuação ao vivo da respectiva música, actuação essa que foi muito bem conseguida e foi bastante emotiva, como evidenciado pelas reacções de alguns membros da plateia, o que veio impactar ainda mais o público no momento da entrega do prémio.

Ouvi esta música antes de ver o filme e é curioso que estava à espera de a ouvir em pleno filme, mas fiquei surpreendido ao ouvi-la somente nos créditos. Não sei se é uma primeira vez nos Óscares, mas não deixa de ser curioso.

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Por fim, o grande vencedor da noite foi Birdman com o Óscar de Melhor Filme, derrotando Boyhood que era a outra hipótese que os críticos punham em cima da mesa para ganhar este Óscar. Acho que foi uma decisão justíssima que é o epítomo de toda uma série de derrotas que aconteceram ao longo da noite que veio demonstrar que um filme que demore 12 anos a ser filmado e exibe o crescimento real dos actores participantes é “muito giro”, mas se o filme não tiver substrato e não entreter as pessoas, será facilmente esquecido.

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The 35 mm Dude

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Jessie Bessie | 22 anos | Portugal

Embaixadora da Mais Mimus

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