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O Diário da Jessie Bessie

Eu sou para cada pessoa aquilo que ela acha que eu sou, mas o que para mim importa é o que eu estou à procura de ser e isso eu ainda não sou.

#Desabafo: É esta a "justiça" que temos!

Não, não se trata de uma rubrica nova. Trata-se sim (e apenas) de um desabafo meu (por isso, próprio e pessoal) sobre um assunto que infelizmente afecta mais pessoas neste nosso Portugal, do que apenas uma família como a minha.

Deixo aqui também claro (antes de expor este meu desabafo), que quando criei o blogue nunca tive a intenção de expor a minha vida pessoal, mas sim expor opiniões e vivências minhas, e assuntos/temas pelos quais sou apaixonada, como cinema, gastronomia, viagens e voluntariado.  

O assunto que me traz aqui (e a minha indignação) é a dita "justiça" (tem de estar em aspas, porque a justiça infelizmente não existe realmente) que se faz todos os dias nos tribunais de tribunal. Ora, eu acabo de chegar a casa hoje de uma dessas minhas idas ao tribunal (do sítio onde resido), e venho completamente desfeita, indignada, insatisfeita e mais importante preocupada com a lei que se tem aplicado (falo em particular do meu caso, mas também de outros casos noticiados nos jornais todos os dias).

Expondo então o caso:

- Mãe e filha são ambas vítimas num caso de violência doméstica (não só violência física, mas também psicológica, perseguições, ameaças entre outros). Desde Agosto de 2013 (pelo menos no caso da filha).

Não venho aqui lavar "roupa suja" (como já fui acusada em pleno tribunal pelo advogado do arguido) e por não vou entrar em mais pormenores. Também não sou perita em advogacia e ciências criminais (apesar de já ter estado 1 ano em criminologia), venho aqui apenas desabafar sobre o desfecho de um caso (o meu) que apesar de não estar encerrado, certamente irá resultar na absolução do arguido (dito, meu "pai").

Hoje pelas 13h não foi feita justiça, senhora meritíssima e senhora procuradora! Ora, num caso de violência doméstica (que para quem não sabe é CRIME PÚBLICO), onde existem fotos de agressões, gravações com as ameaças proferidas pelo arguido (gravações essas que infelizmente os nossos queridos - ênfase nos queridos, por favor - tribunais não aceitam como prova e ainda MULTAM - sim leram bem - as vítimas, por fazerem essas ditas gravações que não serão admissíveis em tribunal), onde existem testemunhas (que também elas foram alvo de perseguições juntamente com as vítimas) e por isso são credíveis, e mais, onde existem OCORRÊNCIAS na PSP (ou seja, existem registos das agressões, assim como relatórios médicos), é uma VERGONHA para mim dizer que Portugal é um país onde se faz justiça, pois o arguido (segundo a procuradora) deve ser absolvido por motivos de dúvida e incoerências sobre os actos ocorridos. 

Eu pergunto: "Então existem dúvidas de que aconteceu aqui um crime, quando existem tantas provas que provam que realmente existiu um crime?"

Infelizmente, isto não acontece só comigo. Não é um caso único, e isso deixa-me preocupada. Deixa-me preocupada pelas outras mulheres e homens (porque infelizmente a violência doméstica afecta ambos os sexos), que vêem as suas vidas expostas ali em praça pública, sujeitas a julgamentos de terceiros, muitas vezes (como também foi o meu caso) tratadas como as culpadas de estarem ali naquela situação, que decidem ir à procura de justiça, porque o que fizeram com elas é crime e devia ser punido, e depois, saiem dos tribunais como eu sai hoje. Sem justiça para si, sem justiça para os filhos (que muitas vezes são vítimas também ao assistir a estes actos de brutalidade), e que vêem o seu caso, chamado de "Pouco Grave", arquivado.

E depois? Depois vem no jornal passado uns dias, meses, anos: "Morta por violência doméstica". O que os senhores jornalistas às vezes não sabem, é que muitas destas vítimas que são mortas, nem sempre se calam, mas quando falam ninguém as ouve, e depois é rios e mares de sangue derramados. E mais preocupante ainda, é que nem mesmo com uma prova (que é um corpo na morgue), existem provas de que realmente ocorreu um crime. 

Hoje eu tenho vergonha de Portugal. Tenho vergonha de ler todos os dias o jornal, e lá pelo meio encontrar mais pessoas com casos como o meu. Tenho vergonha de dizer que Portugal é um país justo. Não é. Eu já aqui disse (penso eu), que o meu motivo de ir para criminologia não foi pelas séries como o "C.S.I.", foi sim, para evitar crimes, para prender quem os cometesse e para lutar por um país justo. 

Um país, onde a justiça demora anos (isto já vem de 2013, estamos em 2016), onde as vítimas são vistas como as culpadas e os agressores como vítimas, onde o grau de perigosidade dos arguidos é julgado como "pouco", onde as provas não tem qualquer relevância para o caso, onde se diz para a vítima fugir de casa, sem sítio para onde ir, desempregadas e com os filhos ao colo, em vez de expulsar o marido de casa, é nas palavras da minha advogada "um país com estado de direito liquidado".

Mas apesar disto, senhoras e senhores que estão na mesma situação que eu: Não desistam. Não se calem. Não saiam de casa, não fujam do agressor, porque não devem ter medo dele. Fugir não é um acto de coragem. Fugir é resignar-se com uma vida de insegurança. Isso não é viver para mim. 

Neste momento, receio (mais pela minha família do que por mim) do que possa vir a acontecer no futuro. Mas se eu for mais um corpo na morgue e isso faça abrir os olhos daquele tribunal que hoje decidiu a favor do agressor, compactoando com o seu acto, posso dizer que só aí se fez alguma "justiça". Mas até lá, não sei. Assim como não sei o que é necessário para se fazer justiça em casos como estes, em que às vezes nem as mortes são prova de crime.

Isto é justiça. Viva Portugal!

 

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Jessie Bessie | 22 anos | Portugal

Embaixadora da Mais Mimus

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